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Família Chaves de Amorim: quatro gerações de tradição, genética e pecuária em Goiás

Da tradição de João Alves Amorim na criação de zebuínos à consolidação da Fazenda Cachoeira do Taquaral, em Novo Brasil, Goiás, a família Chaves de Amorim construiu uma história que atravessa quatro gerações. Conheça a trajetória de Dona Celsa, Goiás Celso Chaves de Amorim e seus descendentes, marcada pela pecuária, seleção genética e continuidade familiar no campo.

SÉRIE ESPECIAL — FAMÍLIAS QUE CONSTRUÍRAM O AGRO BRASILEIRO | EDIÇÃO 010 DE 050

Fazenda Cachoeira do Taquaral | A Fazenda
Fazenda Cachoeira do Taquaral | A Fazenda

Legenda: De João Alves Amorim à Fazenda Cachoeira do Taquaral, uma trajetória familiar que atravessou gerações e ajudou a desenvolver a seleção de bovinos zebuínos no estado de Goiás.

Créditos: acervo da Família

As raízes de uma família ligada à terra

No interior de Goiás, muito antes de a pecuária brasileira alcançar os atuais níveis de desenvolvimento tecnológico, famílias de criadores já trabalhavam na formação de rebanhos, na escolha de matrizes e na busca por animais mais adaptados às condições do território. Entre essas histórias está a da família Amorim e Chaves, cuja tradição pecuária atravessa quatro gerações e tem como um de seus principais representantes Goiás Celso Chaves de Amorim, ligado à Fazenda Cachoeira do Taquaral, no município de Novo Brasil. A trajetória familiar reúne nomes que marcaram diferentes momentos da seleção de bovinos: João Alves Amorim, sua filha Celsa, o neto Goiás Celso e os descendentes que deram continuidade ao trabalho no campo. É uma história em que o patrimônio familiar não se resume às terras, mas também ao conhecimento acumulado na criação e no melhoramento dos animais.

João Alves Amorim: o início de uma tradição pecuária

A origem documentada dessa trajetória está associada a João Alves Amorim, criador de zebuínos na região de Morrinhos, Goiás. Em uma época na qual a pecuária brasileira ainda consolidava suas instituições de seleção e registro genealógico, João Alves participou do movimento de organização dos criadores. Segundo depoimento de seu neto Goiás Celso, o patriarca participou da criação da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, instituição que posteriormente se tornaria a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A ligação com o zebu, portanto, não surgiu de uma decisão empresarial recente. Era uma atividade que já integrava a história familiar e seria transmitida aos descendentes. O trabalho daqueles primeiros criadores contribuiu para formar a base de conhecimento que, décadas depois, permitiria avanços importantes na genética bovina brasileira.

1945: Dona Celsa e a presença feminina na pecuária

Um dos episódios mais significativos da história familiar ocorreu em 1945. Naquele ano, Celsa Amorim, filha de João Alves, participou da inauguração do Parque de Exposições Agropecuárias Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, e da II ExpoGoiás. Segundo o histórico da família, Celsa foi a primeira mulher a conduzir na pista de julgamento os animais pertencentes ao rebanho de seu pai. O episódio demonstra que a participação feminina no desenvolvimento da pecuária goiana possui raízes anteriores às atuais discussões sobre liderança das mulheres no agronegócio. A presença de Celsa nas exposições tornou-se parte importante da memória familiar e da transmissão do interesse pela seleção genética às gerações seguintes.

Goiás Celso Chaves de Amorim: a continuidade do trabalho

A tradição iniciada por João Alves e preservada por Celsa encontrou continuidade em Goiás Celso Chaves de Amorim. Desde cedo ligado à criação de bovinos, Goiás Celso desenvolveu seu trabalho com animais Nelore Puro de Origem, direcionando sua atenção à qualidade genética, à fertilidade e ao desempenho produtivo. Sua trajetória também se uniu à de outra família de pecuaristas por meio do casamento com Geni Praxedes Chaves. Geni é filha de Afonso Praxedes e Leonora Zani, ligados à atividade pecuária nas regiões de Fazenda Nova, Córrego do Ouro e Novo Brasil. A união aproximou duas tradições familiares relacionadas à produção rural, contribuindo para a continuidade de uma atividade que já fazia parte da vida de ambas as famílias.

Fazenda Cachoeira do Taquaral: a propriedade que consolidou a seleção

Localizada em Novo Brasil, Goiás, a Fazenda Cachoeira do Taquaral tornou-se a principal referência da história contemporânea da família. A propriedade é organizada em diferentes retiros, com divisões de pastagens, bebedouros e estruturas voltadas ao manejo racional dos animais. Segundo informações institucionais, o sistema de produção utiliza pastejo rotacionado, buscando conciliar aproveitamento das pastagens, manejo do rebanho e proteção dos recursos naturais. A fazenda também desenvolveu atividades de seleção de Nelore e Tabapuã, com atenção às características produtivas e reprodutivas dos animais. O trabalho desenvolvido na propriedade passou a representar a continuidade de uma tradição familiar, agora apoiada em tecnologias de reprodução e programas de melhoramento genético.

1999: a decisão de investir na raça Tabapuã

Um dos principais marcos da história da Fazenda Cachoeira do Taquaral ocorreu em 1999. Naquele período, Goiás Celso, que já trabalhava com Nelore Puro de Origem, identificou uma oportunidade na seleção da raça Tabapuã. O objetivo era desenvolver animais mochos, dóceis, rústicos e com bom desempenho em sistemas de produção a pasto. Por indicação de um técnico da ABCZ, o criador conheceu José Torquato Caiado Jardim e seu filho Eugênio Lorena Jardim, de quem adquiriu as primeiras matrizes Tabapuã. A partir dessas aquisições, a fazenda iniciou uma nova etapa de investimentos em seleção genética. O rebanho passou a incorporar técnicas de inseminação artificial, transferência de embriões e fertilização in vitro, ampliando as possibilidades de reprodução de animais geneticamente superiores.

Da seleção no campo ao reconhecimento nacional

A evolução do trabalho permitiu que a Fazenda Cachoeira do Taquaral conquistasse espaço em exposições, leilões e programas de melhoramento. Entre os resultados históricos documentados estão premiações de animais Tabapuã em exposições goianas e a participação em avaliações de desempenho. Em 2014, dois reprodutores criados pela fazenda, Natur FIV do Goiás e Norton FIV do Goiás, foram destinados a centrais de genética bovina. O resultado representou um marco na divulgação do trabalho realizado pela família, permitindo que a genética desenvolvida na propriedade alcançasse criadores de outras regiões brasileiras. A família também participou da organização de leilões especializados e de iniciativas de valorização da raça Tabapuã em Goiás.

Quatro gerações: quando a sucessão preserva o conhecimento

Legenda: Registro Familiar que representa a união das gerações, a preservação das tradições e a continuidade da história da Família Chaves de Amorim

Crédito: Fotografia de acervo familiar

A continuidade familiar é um dos aspectos centrais dessa trajetória. Goiás Celso e Geni construíram uma vida ligada à pecuária, enquanto os filhos Paulo Afonso e Lucas passaram a participar das atividades de seleção e gestão dos rebanhos. A presença das novas gerações contribuiu para incorporar técnicas de reprodução assistida e novas ferramentas de avaliação genética ao conhecimento tradicional dos criadores. Esse processo evidencia uma dimensão importante da sucessão rural: a transferência de patrimônio pode ser acompanhada pela transmissão de experiência, relações comerciais, conhecimento produtivo e identidade familiar. No caso da família Chaves de Amorim, a criação de zebuínos constitui o elemento que conecta diferentes gerações e mantém viva uma tradição iniciada décadas antes.

O legado da família Chaves de Amorim para a pecuária goiana

A história da família demonstra como a evolução de uma propriedade rural pode estar associada à preservação de conhecimentos construídos ao longo de gerações.

De João Alves Amorim, em Morrinhos, à participação de Dona Celsa nas exposições de 1945; da seleção desenvolvida por Goiás Celso à continuidade dos trabalhos na Fazenda Cachoeira do Taquaral, a trajetória reúne tradição e inovação.

Mais do que o reconhecimento obtido por determinados animais, o legado está na dedicação à atividade pecuária e na contribuição para o desenvolvimento de rebanhos adaptados às condições brasileiras.

É também um exemplo de como a história das propriedades rurais pode ser compreendida a partir das pessoas que trabalharam, investiram e transmitiram conhecimentos às gerações seguintes.

Porque a história do agronegócio brasileiro também é a história das famílias que dedicaram suas vidas à terra.

Série especial — Famílias que Construíram o Agro Brasileiro

A AgroBrasil Fazendas apresenta a edição 010 de uma série especial de 50 matérias dedicadas a famílias que contribuíram para a formação e o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

O projeto reúne histórias de produtores, pioneiros, patriarcas, matriarcas e sucessores, valorizando suas origens, propriedades rurais e contribuições para a produção agropecuária.

AgroBrasil Fazendas

Fazendo a diferença no Cerrado brasileiro.

CRECI J-23766

Fontes e referências para publicação