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Família Limírio Gonçalves: da indústria farmacêutica à transformação de uma das maiores fazendas do Brasil

SÉRIE ESPECIAL — FAMÍLIAS QUE CONSTRUÍRAM O AGRO BRASILEIRO

Edição 012 de 050 | AgroBrasil Fazendas | Goiás e Tocantins

Uma história empresarial que encontrou novos caminhos no campo

O agronegócio brasileiro foi construído por diferentes gerações de produtores rurais. Algumas famílias iniciaram suas trajetórias em pequenas propriedades, ampliando suas áreas ao longo de décadas. Outras chegaram ao campo depois de consolidar atividades empresariais em setores distintos da economia. A família Limírio Gonçalves representa esse segundo movimento. Ligada à trajetória da indústria farmacêutica Neo Química, em Goiás, a família passou a participar de um dos projetos agropecuários de maior escala do país: a Fazenda Nova Piratininga, situada na região do Vale do Araguaia, entre Goiás e Tocantins. A história reúne investimentos, aquisição de terras, desenvolvimento de infraestrutura, seleção genética bovina e expansão agrícola. O principal personagem desta edição é o empresário Marcelo Henrique Limírio Gonçalves, associado à trajetória da Neo Química e à administração da Nova Piratininga.

As origens empresariais da família Limírio Gonçalves

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Legenda: Registro associado à trajetória empresarial da Família Limírio Gonçalves, cuja atuação se expandiu da indústria farmacêutica para o agronegócio.

Crédito: Reprodução: curta mais. Fotógrafo: Revista Forbes

Antes de alcançar projeção no agronegócio, a família Limírio Gonçalves já possuía uma trajetória empresarial ligada à fabricação e comercialização de medicamentos. O grupo participou do desenvolvimento da Neo Química, indústria farmacêutica que se consolidou no mercado brasileiro de medicamentos genéricos e similares. Em 2009, a Neo Química foi adquirida pelo grupo então denominado Hypermarcas, atualmente Hypera Pharma. A operação, divulgada à época por aproximadamente R$ 1,3 bilhão, marcou uma mudança importante na trajetória dos empresários ligados à companhia. No ano seguinte, a família Limírio Gonçalves passou a figurar entre os investidores envolvidos na aquisição de uma das maiores propriedades agropecuárias do Centro-Oeste brasileiro. Dessa forma, a entrada na Nova Piratininga representou uma nova etapa de diversificação empresarial, agora direcionada à produção rural em grande escala.

2010: a aquisição da Fazenda Piratininga

Legenda: Foto da Fazenda Nova Piratininga

Crédito foto: imagem do instagram

A história da Nova Piratininga está diretamente relacionada à antiga Fazenda Piratininga, que pertenceu ao empresário Wagner Canhedo, ex-controlador da companhia aérea Vasp. Em dezembro de 2010, após sucessivas tentativas de venda, a propriedade foi arrematada por aproximadamente R$ 310 milhões. O imóvel havia sido avaliado em R$ 615 milhões durante o processo de alienação, relacionado ao pagamento de dívidas da antiga companhia aérea. A aquisição foi associada a um grupo de investidores ligados à indústria farmacêutica, entre eles João Alves de Queiroz Filho, Marcelo Henrique Limírio Gonçalves e Igor Nogueira Alves de Melo. A participação desses empresários foi registrada em reportagens da época, sendo importante distinguir a composição original do investimento das alterações societárias ocorridas posteriormente. A nova fase da propriedade foi formalizada em 15 de dezembro de 2010, data registrada pela própria empresa como marco de sua fundação.

A dimensão de uma das maiores operações agropecuárias do Brasil

Conheça a segunda maior fazenda do Brasil

Legenda: Fazenda Nova Piratininga, no vale do Araguaia, entre Goiás e Tocantins, um dos maiores empreendimentos agropecuários do Brasil.

Crédito: Fonte reportagem “conheça a segunda maior fazenda do brasil”. Fotógrafo a confirmar

A Fazenda Nova Piratininga ganhou notoriedade por sua grande extensão territorial e pela escala de suas operações. Uma reportagem da revista Dinheiro Rural, publicada em 2016, descreveu a propriedade com aproximadamente 135 mil hectares, destacando sua condição de uma das maiores áreas rurais contínuas do país. Publicações mais recentes, de 2026, mencionam um complexo agropecuário de aproximadamente 202 mil hectares, abrangendo áreas de Goiás e Tocantins. Os números possuem datas e abrangências diferentes. Por isso, não devem ser interpretados automaticamente como aumento da área de uma única matrícula ou como patrimônio pessoal exclusivo de determinado integrante da família. O empreendimento reúne pecuária de corte, agricultura, infraestrutura de armazenagem e atividades voltadas à produção de alimentos em grande escala.

2011: a reorganização das pastagens e a infraestrutura hídrica

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Legenda: Manejo do rebanho Bovino, a pecuária de corte constitui uma das principais atividades da Nova Piratininga, que investe em infraestrutura, manejo de pastagens e eficiência produtiva.

Credito Reprodução: Giro do Boi, Openai.com

Após a aquisição, uma das primeiras prioridades foi reorganizar o sistema de produção pecuária. Segundo o histórico institucional da Nova Piratininga, em 2011 a propriedade passou por um amplo processo de divisão de pastagens. O número de pastos aumentou de aproximadamente 220 para 1.300, permitindo maior controle sobre o manejo dos animais e o aproveitamento das áreas de alimentação. A distribuição de água também recebeu investimentos expressivos. Foram implantados mais de 500 quilômetros de adutoras e mais de 650 bebedouros, cada um com capacidade informada de 25 mil litros. Essa estrutura permitiu ampliar a distribuição de água aos rebanhos, reduzindo deslocamentos e facilitando o manejo das diferentes categorias de bovinos. O projeto demonstrou que administrar uma fazenda de grande extensão exige muito mais do que disponibilidade de terras: depende de logística, infraestrutura e planejamento operacional. Fazenda Nova Piratininga

2012: o início de um programa de melhoramento genético

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Legenda: O programa de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) integra as estratégias de melhoramento genético e produtividade do rebanho da Nova Piratininga.

Crédito: Reprodução Giro do Boi

A modernização da pecuária avançou em 2012, com a implantação de um programa de melhoramento genético bovino. Inicialmente, o projeto envolveu aproximadamente 4 mil animais e a utilização de inseminação artificial em tempo fixo, conhecida como IATF. O objetivo era melhorar os indicadores reprodutivos, padronizar os rebanhos e desenvolver animais com características adequadas à produção de carne. Com a evolução dos investimentos, o programa passou a alcançar uma escala muito superior. Em 2019, segundo o histórico institucional da empresa, o desenvolvimento genético já envolvia 60 mil matrizes bovinas em estação de monta. A seleção genética tornou-se, assim, um dos pilares do modelo produtivo da Nova Piratininga.

2013: o confinamento e o ciclo completo da pecuária

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Legenda: A Fazenda Nova Piratininga desenvolveu uma operação de grande escala. com investimento em genética, alimentação e modernização dos sistemas produtivos.

Crédito: Canal Rural

Outra etapa importante ocorreu em 2013, quando a fazenda iniciou suas atividades de confinamento bovino. A estrutura começou com capacidade estática para aproximadamente 3 mil cabeças. A estratégia permitiu avançar na integração das etapas de cria, recria e engorda, reduzindo a dependência exclusiva das pastagens para a terminação dos animais. Em 2020, a empresa informou que a capacidade estática de alojamento havia alcançado 16,5 mil cabeças. Esse crescimento acompanhou a implantação de tecnologias de nutrição, rastreabilidade e controle produtivo. Em reportagem publicada pela revista Veja, em fevereiro de 2021, a Nova Piratininga foi descrita com um rebanho superior a 120 mil bovinos, incluindo animais das raças Nelore e Angus. A reportagem também destacou a identificação eletrônica dos animais, utilizada para melhorar o acompanhamento das diferentes etapas da produção.

2019: a integração entre agricultura e pecuária

A expansão da Nova Piratininga não ficou restrita à criação de bovinos. Em 2019, a empresa iniciou uma etapa de integração lavoura-pecuária, com aproximadamente 3 mil hectares destinados ao cultivo de soja. O projeto também envolveu a construção de estruturas de recepção e armazenagem de grãos. A introdução da agricultura permitiu diversificar a produção e ampliar a disponibilidade de alimentos para o rebanho. Em agosto de 2026, reportagem do portal Compre Rural mencionou aproximadamente 13 mil hectares de áreas agrícolas destinadas à produção de soja e milho. Essa expansão demonstra a importância da integração produtiva em grandes operações agropecuárias, especialmente em regiões nas quais a sazonalidade das chuvas influencia a disponibilidade de pastagens.

2020: irrigação e novas tecnologias

A partir de 2020, a propriedade também passou a investir em sistemas de irrigação por pivôs centrais. A iniciativa ampliou as possibilidades de planejamento agrícola e de produção de alimentos para os animais. A fazenda passou a combinar atividades de cria, recria, engorda, agricultura e armazenagem em uma estrutura integrada. Esse modelo exige planejamento de máquinas, insumos, logística, mão de obra e recursos hídricos. Além dos investimentos produtivos, o histórico institucional registra a criação de estruturas de educação, esporte e convivência destinadas aos colaboradores e seus familiares. A dimensão da operação transformou a Nova Piratininga em um empreendimento com características próprias de uma comunidade rural organizada em torno da atividade agropecuária.

A evolução do controle empresarial da fazenda

A trajetória da Nova Piratininga também passou por mudanças societárias. Embora a aquisição original de 2010 tenha envolvido diferentes investidores, uma atualização publicada pelo portal Brasil24Horas, em 19 de março de 2025, informou que Marcelo Henrique Limírio Gonçalves havia assumido o controle integral da operação. A informação foi atribuída a manifestação encaminhada ao veículo pelo advogado do empresário. Segundo o documento mencionado na reportagem, o espólio de Walterci de Melo deixou de integrar o quadro societário em julho de 2018. A atualização é importante para distinguir os investidores responsáveis pela aquisição original daqueles vinculados à condução mais recente do empreendimento. Não foi localizada, nesta pesquisa, documentação societária primária suficientemente atualizada para confirmar de forma independente a composição do controle em novembro de 2026.

Uma nova geração de investimentos no agronegócio

A história da família Limírio Gonçalves apresenta uma característica diferente de outras famílias tradicionais do campo. Sua projeção empresarial ocorreu inicialmente na indústria farmacêutica, e a participação na Nova Piratininga representou a expansão para um novo setor econômico. A aquisição de uma grande propriedade rural exigiu investimentos em infraestrutura, tecnologia, genética, gestão de pessoas e integração produtiva. Ao longo dos anos, a operação passou de um modelo predominantemente pecuário para uma estrutura que reúne agricultura, confinamento e melhoramento genético. É uma trajetória que demonstra como a modernização do agronegócio brasileiro também foi influenciada pela entrada de investidores com experiência em outros segmentos empresariais. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que a transformação da Nova Piratininga não resulta exclusivamente da atuação de uma família, mas também da participação dos investidores originais, das equipes técnicas e dos trabalhadores responsáveis pela operação.

O legado da Nova Piratininga no Vale do Araguaia

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Legenda: A estrutura de alimentação da Nova Piratininga permite o manejo de grandes rebanhos durante o período de estiagem no Vale do Araguaia.

Crédito: Reprodução Giro do Boi

A Fazenda Nova Piratininga tornou-se um exemplo da complexidade envolvida na administração de grandes propriedades rurais brasileiras. A divisão de pastagens, a distribuição de água, a seleção genética, a identificação dos animais e a integração entre agricultura e pecuária representam diferentes etapas de um processo de modernização iniciado em 2010. A trajetória também evidencia que a dimensão territorial, isoladamente, não determina a eficiência de uma operação agropecuária. A produção em grande escala depende de investimentos contínuos, gestão técnica e capacidade de adaptação às condições econômicas e ambientais. Na história da família Limírio Gonçalves, a participação na Nova Piratininga representa a transição de uma trajetória consolidada na indústria para a administração de um empreendimento rural de grande porte. Mais do que a extensão das terras, essa história demonstra como decisões de investimento, infraestrutura e gestão podem transformar a dinâmica produtiva de uma propriedade rural.

Famílias que Construíram o Agro Brasileiro — edição 012 de 050

A AgroBrasil Fazendas apresenta a Décima segunda edição de sua série especial dedicada às famílias e aos empreendedores que participaram da formação, expansão e modernização do agronegócio brasileiro. Ao longo de 50 matérias, o projeto reúne histórias de produtores, pioneiros, patriarcas, matriarcas e sucessores, destacando suas trajetórias, propriedades rurais e contribuições para a produção agropecuária. O conteúdo possui caráter histórico, editorial e informativo, sem representar publicidade, endosso ou vínculo comercial com as famílias e empresas retratadas.

AgroBrasil Fazendas

Fazendo a diferença no Cerrado brasileiro.

CRECI J-23766

Fontes e referências