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Família Pimenta: três gerações de produtores e a transformação da agricultura no Cerrado goiano

SÉRIE ESPECIAL — FAMÍLIAS QUE CONSTRUÍRAM O AGRO BRASILEIRO

Edição 013 de 050 | AgroBrasil Fazendas | Goiás

De uma tradição familiar ligada à agricultura e à pecuária de Rio Verde à expansão da produção no Tocantins, a história de Antônio Pimenta Martins e seus filhos demonstra como conhecimento, empreendedorismo e sucessão familiar podem assegurar a continuidade de um negócio rural.

Uma história que começa nas raízes de Rio Verde

No sudoeste de Goiás, o município de Rio Verde ocupa uma posição de destaque na história da agricultura brasileira. Sua transformação em um importante polo de produção de grãos foi construída ao longo de décadas, com a participação de famílias locais, cooperativas, profissionais técnicos e produtores que chegaram de diferentes regiões do país.

Entre essas trajetórias está a da família Pimenta.

Nascido em Rio Verde, Antônio Pimenta Martins cresceu acompanhando a atividade agropecuária. Filho e neto de agricultores, pertence a uma linhagem que, segundo seu próprio relato, mantém vínculos históricos com a formação do município.

Seu pai, Edgard Leão, dedicou-se à agricultura e à pecuária, desenvolvendo atividades que incluíam o cultivo de soja e o confinamento de bovinos.

Essa convivência com a produção rural influenciou as escolhas profissionais de Antônio e estabeleceu uma ligação que seria transmitida à geração seguinte.

Em outubro de 2026, aos 67 anos, Antônio contou ao Canal Rural parte dessa trajetória, destacando o papel da família, a evolução da agricultura goiana e a importância de preparar os filhos para a continuidade das atividades.

Edgard Leão e a geração que acompanhou a expansão agrícola

Antes de a agricultura mecanizada alcançar os níveis atuais de produtividade, o Cerrado brasileiro passou por profundas mudanças técnicas e econômicas.

A adaptação dos solos, a expansão da mecanização, o desenvolvimento de cultivares e a estruturação de cooperativas criaram condições para o crescimento da produção agrícola em Goiás.

Edgard Leão pertence à geração de produtores que vivenciou essa transformação.

Além da agricultura, sua atuação na pecuária demonstra a diversidade de atividades que caracterizava muitas propriedades da região.

A experiência do pai ofereceu a Antônio uma referência sobre o trabalho rural, mas não determinou que ele seguisse exatamente o mesmo caminho.

Em vez de ingressar diretamente nos negócios paternos, Antônio decidiu construir uma carreira profissional própria, adquirindo experiência técnica e empresarial antes de consolidar a operação agrícola familiar.

Essa escolha seria importante para o modelo de gestão desenvolvido posteriormente.

1983: a formação de Antônio Pimenta em Agronomia

Antônio deixou Rio Verde para estudar em Goiânia, onde concluiu Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Goiás, em 1983.

A formação ocorreu em um período decisivo para o desenvolvimento agrícola do Centro-Oeste.

Naquela época, o Cerrado já recebia produtores vindos principalmente do Paraná e do Rio Grande do Sul, atraídos pelas possibilidades de expansão da agricultura mecanizada.

Antônio acompanhou esse movimento de perto.

Após concluir a graduação, iniciou sua carreira em uma cooperativa de Rio Verde, onde permaneceu por aproximadamente 12 anos.

Durante esse período, teve contato com diferentes segmentos da cadeia agroindustrial, incluindo produção agrícola, reflorestamento, esmagamento de soja e produção de sementes.

A experiência permitiu compreender não apenas o funcionamento das lavouras, mas também as estruturas industriais, comerciais e logísticas que sustentam o agronegócio.

A trajetória de Antônio passou, portanto, pela formação técnica e pela experiência cooperativista antes de se concentrar no empreendedorismo rural.

A chegada dos agricultores do Sul e a transformação do Cerrado

Um dos episódios mais marcantes relatados por Antônio foi a chegada de produtores sulistas ao sudoeste goiano, especialmente durante a década de 1980.

Agricultores vindos do Paraná e do Rio Grande do Sul trouxeram experiências relacionadas ao cultivo mecanizado, ao manejo agrícola e à organização produtiva.

Esse movimento contribuiu para a expansão da soja e de outras culturas na região.

Como profissional de cooperativa, Antônio participou do atendimento e da orientação a produtores que estavam se estabelecendo em Goiás.

A experiência mostra que a transformação agrícola do Cerrado não ocorreu apenas pela abertura de novas áreas.

Ela também dependeu da circulação de conhecimento, da assistência técnica, da adaptação das práticas agrícolas às condições locais e da formação de estruturas capazes de atender à produção em escala crescente.

Nesse contexto, Rio Verde consolidou progressivamente sua importância na economia agrícola goiana.

1996: o início de uma nova etapa empresarial

Depois da experiência cooperativista, Antônio decidiu ampliar sua participação no setor de insumos e sementes agrícolas.

Em 1996, iniciou uma nova fase profissional, voltada ao empreendedorismo.

O conhecimento adquirido na cooperativa permitiu identificar oportunidades relacionadas à comercialização de insumos, à produção de sementes e aos serviços necessários ao desenvolvimento da agricultura.

Em 1999, participou da fundação de uma empresa dedicada à produção de sementes de soja.

Segundo seu relato, o empreendimento chegou a representar aproximadamente 25% do mercado goiano desse segmento.

A atuação empresarial também passou a incluir lojas de insumos agrícolas, transporte e armazenagem.

Essas atividades ampliaram a presença de Antônio em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o fornecimento de sementes até a logística necessária ao escoamento da produção.

O crescimento foi desenvolvido em sociedade com Everaldo Barbosa Pereira, citado por Antônio como parceiro de longa data.

2011: a expansão das atividades para o Tocantins

Enquanto desenvolvia negócios ligados à agricultura em Goiás, Antônio também começou a investir em propriedades rurais no Tocantins.

Segundo entrevista concedida em 2026, o projeto teve início em 2011, inicialmente com a aquisição de terras destinadas a investimento e arrendamento.

Com o passar dos anos, a atuação evoluiu para a produção agrícola conduzida pela própria família.

As atividades passaram a alcançar regiões próximas de Porto Nacional, Palmas, Silvanópolis e Santa Rosa do Tocantins.

A expansão representou uma nova etapa na trajetória familiar.

O negócio deixou de estar concentrado exclusivamente na região de origem e passou a operar em diferentes ambientes produtivos do Cerrado.

A diversificação territorial também trouxe desafios relacionados à logística, à administração das propriedades, à disponibilidade de mão de obra e ao acompanhamento das lavouras em diferentes localidades.

2016: a estruturação da APM Agropecuária

A continuidade empresarial da família também pode ser observada na estruturação da APM Agropecuária Ltda.

A empresa possui registro de abertura em 17 de fevereiro de 2016, com sede rural em Rio Verde, Goiás.

Registros cadastrais consultados em 2026 identificam Antônio Pimenta Martins como sócio-administrador e seus três filhos como integrantes do quadro societário.

A atividade principal registrada é o cultivo de soja, com atividades secundárias que incluem milho, produção de sementes e pecuária de corte.

A empresa também possui estabelecimentos registrados no Tocantins, incluindo unidades ligadas à produção agrícola e à armazenagem.

Esses registros demonstram a formalização de uma estrutura empresarial familiar que reúne produção, administração e participação societária de diferentes gerações.

2020: a venda dos negócios de insumos e sementes

Outro marco importante ocorreu em 2020.

Depois de aproximadamente 25 anos de atuação no setor de insumos agrícolas e sementes, Antônio e seu sócio Everaldo Barbosa Pereira venderam seus negócios para uma empresa canadense.

A operação encerrou uma etapa relevante de sua trajetória empresarial.

Entretanto, a venda não significou o afastamento da atividade rural.

Antônio continuou ligado à agricultura, agora com maior concentração na produção conduzida em conjunto com seus filhos.

A experiência acumulada em cooperativas, sementes, insumos e armazenagem passou a contribuir diretamente para a administração das propriedades da família.

A decisão evidencia uma característica recorrente em processos de reorganização patrimonial: a possibilidade de encerrar uma atividade empresarial e, ao mesmo tempo, fortalecer outra área de atuação.

A nova geração: Lídia, Marília e Danilo Pimenta Martins

Agricultura | Agronegócio | APM Agro | Goiás

Um dos aspectos mais relevantes dessa história é a participação efetiva dos três filhos de Antônio na administração do negócio.

A sucessão familiar não está limitada à expectativa de uma futura transferência patrimonial. A geração seguinte já ocupa funções estratégicas dentro da empresa.

Lídia Pimenta Martins — Governança

Atua na estruturação de processos de governança, contribuindo para a organização administrativa e a continuidade da empresa familiar.

Marília Pimenta Martins — Finanças

Responsável pela área financeira, participa da administração dos recursos e do planejamento econômico das atividades.

Danilo Pimenta Martins — Operações

Engenheiro agrônomo, atua na gestão operacional das atividades agrícolas e no acompanhamento da produção.

Antônio permanece envolvido no negócio, participando do conselho e contribuindo com sua experiência nas decisões empresariais.

A própria APM Agro destacou publicamente essa organização em uma publicação sobre o projeto interno Raízes Fortes, iniciado em novembro de 2024 e desenvolvido com a participação dos colaboradores.

Em janeiro de 2025, a empresa realizou um encontro de integração envolvendo equipes de Goiás e Tocantins, reforçando a cultura organizacional e o papel das diferentes gerações na continuidade do negócio.

As propriedades e a diversificação da produção agrícola

A principal atividade produtiva da família é o cultivo de soja.

Entretanto, a operação também trabalha com milho, sorgo, gergelim e feijão-mungo, buscando diversificar as culturas e ampliar as alternativas de produção.

A pecuária permanece presente em menor escala, principalmente em áreas menos adequadas à agricultura e em sistemas que aproveitam resíduos vegetais das lavouras.

A distribuição geográfica das atividades inclui Goiás e Tocantins.

Além da ligação histórica com Rio Verde, registros empresariais identificam unidades da APM Agropecuária em Porto Nacional e Monte do Carmo, no Tocantins, incluindo estabelecimentos associados às fazendas Primavera, Bom Jesus e Bonanza.

É importante distinguir a existência desses estabelecimentos cadastrados da titularidade imobiliária: o registro de uma unidade empresarial em determinada fazenda não comprova, por si só, que toda a área pertença à família.

A profissionalização da gestão rural

A trajetória da família Pimenta também evidencia uma mudança na maneira de administrar propriedades agrícolas.

Segundo Antônio, a empresa utiliza equipamentos modernos e conta com consultorias especializadas nas áreas contábil, fiscal e de governança.

A proposta é conduzir a atividade rural com critérios de gestão empresarial, mantendo controle sobre os custos e a viabilidade econômica.

Essa organização ganha importância em um cenário de elevados investimentos em máquinas, fertilizantes, defensivos, armazenagem e operações agrícolas.

A produção rural contemporânea exige decisões que ultrapassam os limites da lavoura.

Planejamento financeiro, gestão tributária, controle operacional e preparação de sucessores passaram a integrar o cotidiano das empresas agrícolas familiares.

No caso da família Pimenta, essas responsabilidades foram distribuídas entre os integrantes da nova geração, permitindo que cada um contribua em sua área de atuação.

Os desafios econômicos da agricultura brasileira

Mesmo com décadas de experiência no agronegócio, Antônio reconhece que a atividade rural enfrenta desafios importantes.

Em sua entrevista de outubro de 2026, destacou especialmente a elevação dos custos de produção e das taxas de juros.

Os preços de fertilizantes e defensivos, sujeitos às condições do mercado internacional, influenciam diretamente o planejamento agrícola.

O custo do crédito também interfere na capacidade de investimento e na rentabilidade das operações.

Diante desse cenário, a família busca reduzir a dependência de financiamentos bancários e realizar compras antecipadas quando as condições comerciais são favoráveis.

Essa estratégia demonstra como a administração financeira pode ser tão importante quanto a produtividade das lavouras.

Produzir mais não significa necessariamente obter melhores resultados se os custos e as obrigações financeiras não forem administrados adequadamente.

Sucessão familiar: quando os filhos escolhem continuar

Um dos maiores desafios enfrentados pelas famílias proprietárias de terras é assegurar a continuidade dos negócios entre gerações.

A sucessão rural envolve questões patrimoniais, societárias, administrativas e pessoais.

Nem sempre os herdeiros desejam permanecer na atividade agropecuária. Em outros casos, a ausência de uma estrutura de gestão pode dificultar a transição entre gerações.

A família Pimenta apresenta uma experiência na qual os três filhos participam diretamente da administração do empreendimento.

A distribuição de responsabilidades permite combinar a experiência de Antônio com a formação e a atuação profissional de Lídia, Marília e Danilo.

O modelo não elimina os desafios naturais de uma empresa familiar, mas demonstra a importância de estabelecer funções e criar mecanismos de governança antes da transferência definitiva da liderança.

Mais do que transmitir propriedades, a família procura transmitir a capacidade de administrar e desenvolver o negócio rural.

Três gerações e uma ligação permanente com o Cerrado

A história da família Pimenta acompanha diferentes momentos da evolução do agronegócio goiano.

A geração de Edgard Leão representa a ligação com a agricultura e a pecuária tradicionais da região de Rio Verde.

Antônio Pimenta Martins participou de uma etapa marcada pela expansão da soja, pela formação de cooperativas, pelo crescimento da indústria de sementes e pela profissionalização das atividades agrícolas.

A geração de Lídia, Marília e Danilo representa um novo período, no qual governança, gestão financeira, tecnologia e planejamento operacional se tornam elementos centrais da continuidade empresarial.

A expansão para o Tocantins também demonstra que a história familiar ultrapassou os limites de seu município de origem, acompanhando o desenvolvimento agrícola de outras regiões do Cerrado.

O que une essas diferentes etapas é a permanência da atividade rural como parte da identidade e do trabalho da família.

Um legado que vai além da propriedade da terra

A contribuição de uma família para a história do agronegócio não pode ser medida exclusivamente pela quantidade de hectares que possui.

Ela também pode ser compreendida pelo conhecimento acumulado, pelas atividades econômicas desenvolvidas, pelos empregos gerados e pela capacidade de preparar novas gerações para continuar produzindo.

A trajetória da família Pimenta demonstra essa combinação.

De Edgard Leão a Antônio Pimenta Martins, e de Antônio aos seus três filhos, a atividade rural permaneceu presente, ainda que os modelos de produção e administração tenham se transformado.

A história reúne experiência cooperativista, empreendedorismo no setor de sementes, investimentos em propriedades agrícolas e profissionalização da gestão familiar.

O legado da família Pimenta está na continuidade de uma atividade que atravessou gerações, acompanhando a transformação do Cerrado e preparando novos gestores para os desafios da agricultura brasileira.

Famílias que Construíram o Agro Brasileiro — edição 013 de 050

A série especial da AgroBrasil Fazendas apresenta histórias de famílias que participaram da formação, expansão e transformação da agropecuária brasileira.

Ao longo de 50 edições, serão retratadas trajetórias de produtores, pioneiros, patriarcas, matriarcas e sucessores, com atenção às propriedades rurais, às atividades produtivas e ao contexto histórico de cada família.

O projeto possui caráter editorial e informativo, baseado em registros históricos, entrevistas e fontes públicas.

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Fazendo a diferença no Cerrado brasileiro.

CRECI J-23766

Fontes e créditos editoriais

Canal Rural — entrevista com Antônio Pimenta

Gabriel Almeida, 9 de outubro de 2026. Fonte principal da trajetória familiar e profissional.

APM Agro — projeto Raízes Fortes

Publicação institucional sobre cultura empresarial, sucessão e funções dos filhos na administração.

Cadastro empresarial da APM Agropecuária

Referência complementar sobre constituição empresarial, atividades econômicas e quadro societário.