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O LEGADO DA FAMÍLIA MAGGI: DOS PIONEIROS DO CERRADO ÀS NOVAS GERAÇÕES DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

De André Antonio Maggi e Lucia Borges Maggi à consolidação da AMAGGI e do Grupo Bom Futuro: uma história familiar que atravessou gerações e contribuiu para a transformação da agricultura em Mato Grosso.

Reportagem especial | AgroBrasil Fazendas | Outubro de 2026

Uma história que começou com uma família

A história do agronegócio brasileiro está diretamente relacionada à trajetória de famílias que deixaram regiões agrícolas tradicionais e investiram em novas fronteiras produtivas.

Entre essas famílias, a Maggi ocupa um lugar importante na expansão da agricultura em Mato Grosso.

O que começou como um empreendimento familiar no oeste do Paraná transformou-se, ao longo das décadas, em uma história de investimentos agrícolas, desenvolvimento de infraestrutura, formação de municípios e internacionalização de negócios.

No centro dessa trajetória estão André Antonio Maggi e Lucia Borges Maggi, fundadores da empresa que daria origem à AMAGGI.

A história também envolve filhos, sobrinhos e novas gerações que seguiram diferentes caminhos empresariais.

Entre esses caminhos estão duas organizações de grande relevância para o agronegócio brasileiro: a AMAGGI e o Grupo Bom Futuro.

Embora compartilhem vínculos familiares e parte de suas origens históricas, são empresas distintas, com estruturas administrativas e operações próprias.

Compreender essa relação é fundamental para contar a história da família com transparência.

André Antonio Maggi: o patriarca

André Antonio Maggi construiu sua trajetória empresarial a partir de atividades ligadas ao campo.

Em 1977, ao lado de Lucia Borges Maggi, fundou a Sementes Maggi, em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná.

O empreendimento nasceu em um período de modernização da agricultura brasileira, marcado pela mecanização, pelo desenvolvimento de tecnologias de produção e pela expansão da soja.

André identificou oportunidades em Mato Grosso, estado que começava a consolidar novas regiões de agricultura empresarial.

Em 1979, a família adquiriu sua primeira propriedade no estado: a Fazenda SM 01, em Itiquira.

Naquele período, as distâncias, as dificuldades de transporte e a infraestrutura limitada representavam obstáculos importantes.

A expansão exigia investimento em máquinas agrícolas, armazenagem, estradas, transporte e formação de equipes.

A família participou desse processo de transformação, acompanhando o desenvolvimento de regiões que se tornariam referências na produção de grãos.

Lucia Borges Maggi: a matriarca e a continuidade familiar

A trajetória de André Maggi também está associada à presença de sua esposa, Lucia Borges Maggi.

O casal construiu uma família e participou das diferentes etapas de desenvolvimento dos negócios, desde o Paraná até a consolidação das operações em Mato Grosso.

André e Lucia tiveram cinco filhos: Vera, Marli, Fátima, Blairo e Rosângela.

Com o passar dos anos, os descendentes passaram a integrar diferentes momentos da história familiar e empresarial.

O nome de Lucia também permaneceu ligado às iniciativas sociais da companhia.

Em 1997, foi criada a fundação que posteriormente recebeu o nome Fundação André e Lucia Maggi.

Em março de 2026, a instituição passou a se chamar Fundação AMAGGI, preservando a memória dos fundadores em sua trajetória.

A presença da matriarca representa um aspecto importante dessa história: o desenvolvimento de um empreendimento familiar não se limita às decisões comerciais, mas envolve relações, responsabilidades e a continuidade entre gerações.

A chegada a Mato Grosso e a expansão das primeiras fazendas

A aquisição da Fazenda SM 01, em 1979, marcou o início de uma etapa decisiva.

Em 1983, a empresa inaugurou seu primeiro armazém em Mato Grosso, na Fazenda SM 03, em Itiquira.

No ano seguinte, transferiu sua sede para Rondonópolis.

A expansão das atividades agrícolas alcançou novas regiões, incluindo a Chapada dos Parecis.

O crescimento exigiu investimentos que ultrapassavam os limites das propriedades rurais.

Armazéns, transporte, infraestrutura e organização comercial tornaram-se componentes essenciais para o desenvolvimento da atividade.

A empresa passou a integrar diferentes etapas da cadeia produtiva, conectando a agricultura às operações de comercialização e logística.

Essa estratégia seria fundamental para a expansão nacional e internacional da AMAGGI.

Sapezal: a agricultura e a formação de um município

Um dos capítulos mais significativos da trajetória de André Maggi está relacionado ao desenvolvimento de Sapezal.

Na década de 1980, a expansão agrícola exigiu a construção de estruturas de armazenagem, moradias e serviços de apoio aos trabalhadores.

O acervo histórico da AMAGGI registra a construção de armazéns e das primeiras casas para colaboradores em 1989.

O crescimento das atividades agrícolas acompanhou a formação do núcleo urbano.

André Maggi participou diretamente da história do município e tornou-se seu primeiro prefeito eleito, em 1996.

Sua trajetória demonstra a relação entre o desenvolvimento da agricultura, a geração de empregos e a organização econômica de regiões do interior brasileiro.

A história de Sapezal está, portanto, associada à presença de diferentes famílias, trabalhadores, produtores e empreendedores que participaram da consolidação da agricultura regional.

Blairo Maggi e a sucessão empresarial

Entre os filhos dos fundadores, Blairo Maggi tornou-se um dos nomes mais conhecidos do agronegócio brasileiro.

Sua trajetória começou nos negócios familiares e, posteriormente, também alcançou a vida pública.

Blairo exerceu os cargos de governador de Mato Grosso e ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Após o falecimento de André Antonio Maggi, em 22 de abril de 2001, a empresa atravessou uma nova etapa de sucessão.

A AMAGGI manteve suas atividades e ampliou a atuação nos segmentos de produção agrícola, comercialização, processamento, logística e energia.

A organização também avançou na profissionalização da gestão e na internacionalização das operações.

A sucessão empresarial representou a continuidade de uma estrutura construída ao longo de décadas.

Entretanto, é importante diferenciar a continuidade da AMAGGI da trajetória individual de outros integrantes e ramos da família.

Nem todas as propriedades ou atividades agrícolas ligadas a parentes dos fundadores pertencem à mesma organização empresarial.

Os irmãos Maggi Scheffer e a origem do Grupo Bom Futuro

A história da família Maggi também possui uma ligação importante com o Grupo Bom Futuro.

Os irmãos Eraí, Elusmar e Fernando Maggi Scheffer, sobrinhos de André Antonio Maggi, chegaram a Mato Grosso em 2 de junho de 1982.

Vindos de São Miguel do Iguaçu, no Paraná, foram trabalhar com o tio na Fazenda Bom Futuro, em Rondonópolis.

A experiência no campo contribuiu para a formação de uma trajetória empresarial própria.

Com o passar dos anos, os irmãos desenvolveram seus negócios, ampliaram as operações agrícolas e consolidaram uma organização independente.

O cunhado José Maria Bortoli também participou da construção do empreendimento.

O Grupo Bom Futuro tornou-se uma empresa de grande porte, com atuação em agricultura, pecuária e outras atividades.

A ligação histórica entre AMAGGI e Bom Futuro está relacionada ao parentesco e às experiências empresariais compartilhadas nas décadas iniciais.

Isso não significa, entretanto, que as duas organizações componham atualmente um único grupo econômico.

A Bom Futuro desenvolveu sua própria estrutura societária, administrativa e operacional.

Uma família, diferentes trajetórias empresariais

A trajetória dos Maggi demonstra como uma origem familiar comum pode dar lugar a diferentes empreendimentos ao longo das gerações.

A AMAGGI consolidou um modelo integrado de produção, comercialização, processamento e logística.

O Grupo Bom Futuro desenvolveu uma estrutura própria, com forte presença na produção agropecuária de Mato Grosso.

Ambas as empresas estão associadas à expansão agrícola brasileira, mas possuem administrações e operações independentes.

A distinção é especialmente importante quando se trata de patrimônio rural, participação societária e extensão de terras.

A história familiar deve ser reconhecida sem transformar vínculos de parentesco em afirmações sobre controle empresarial ou propriedade conjunta.

Da mesma forma, a existência de negócios independentes não significa necessariamente o rompimento das relações familiares.

A reportagem registra os caminhos empresariais documentados, sem atribuir motivações particulares ou conflitos não comprovados.

A dimensão agrícola dos empreendimentos

A expansão das empresas também pode ser observada por meio de seus indicadores operacionais.

Para a safra 2025/2026, a AMAGGI divulgou aproximadamente 386 mil hectares de área produtiva, considerando as operações agrícolas de primeira e segunda safras.

Em reportagem publicada em julho de 2026, a área cultivada pelo Grupo Bom Futuro foi apresentada em aproximadamente 700 mil hectares.

Esses números demonstram a escala das atividades, mas exigem uma distinção técnica.

A área cultivada pode incluir mais de uma safra realizada sobre a mesma superfície física.

Portanto, não equivale necessariamente à área territorial das propriedades.

Também não corresponde, de maneira automática, à extensão das terras próprias de cada empresa.

A soma desses indicadores não representa o patrimônio imobiliário consolidado da família Maggi.

Para conhecer a área efetivamente pertencente a cada organização, seria necessário consultar informações patrimoniais específicas, incluindo terras próprias, arrendadas e demais modalidades de exploração.

A apresentação responsável desses números é fundamental para preservar a precisão da informação.

Da produção agrícola à logística internacional

Ao longo de sua história, a AMAGGI desenvolveu uma estrutura que ultrapassou a atividade agrícola dentro das fazendas.

A companhia ampliou suas operações de armazenagem, originação, comercialização, processamento e transporte.

Em 1997, inaugurou o Corredor Noroeste de Exportação, conectando Porto Velho, em Rondônia, a Itacoatiara, no Amazonas.

A iniciativa representou um avanço importante na utilização de rotas hidroviárias para o escoamento de grãos.

Posteriormente, a empresa investiu em outras estruturas portuárias e logísticas.

Em 2008, estabeleceu um escritório internacional de originação em Roterdã, na Holanda.

Em 2014, o antigo Grupo André Maggi passou a utilizar oficialmente a marca AMAGGI.

A organização ampliou sua atuação internacional e consolidou atividades ligadas à agricultura, comercialização de commodities, logística e energia.

O empreendimento familiar que começou no Paraná tornou-se uma companhia integrada à cadeia global do agronegócio.

A importância dos colaboradores e das comunidades

A construção de empresas agrícolas de grande porte envolve muito mais do que seus fundadores e acionistas.

Engenheiros agrônomos, operadores de máquinas, técnicos, motoristas, administradores, profissionais de logística e trabalhadores rurais participaram das diferentes etapas de crescimento.

O desenvolvimento das atividades também contribuiu para a geração de empregos e para a expansão de serviços em municípios do interior.

A atuação social da AMAGGI passou a ser desenvolvida por meio de sua fundação, criada em 1997.

A instituição realiza projetos relacionados ao desenvolvimento humano e comunitário.

A companhia também mantém o projeto Memória AMAGGI, dedicado à preservação de documentos, fotografias, entrevistas e registros históricos.

O acervo reúne milhares de itens relacionados à trajetória empresarial e às pessoas que participaram dessa construção.

Preservar essa memória permite compreender não apenas as decisões dos dirigentes, mas também a participação de diferentes profissionais na transformação da agricultura brasileira.

O legado de André Maggi, 25 anos depois

Em 22 de abril de 2026, completaram-se 25 anos do falecimento de André Antonio Maggi.

A data foi lembrada pela família em uma homenagem institucional publicada pela AMAGGI.

O registro reforçou a importância do fundador na construção da identidade empresarial e na transmissão de valores entre gerações.

Quase cinco décadas depois da fundação da Sementes Maggi, a história iniciada por André e Lucia permanece relacionada à expansão do agronegócio brasileiro.

A continuidade dessa trajetória pode ser observada na atuação da AMAGGI e também nos empreendimentos desenvolvidos por outros integrantes da família.

Cada organização possui sua própria estrutura e seus próprios desafios.

O vínculo histórico, entretanto, ajuda a compreender a importância do empreendedorismo familiar na transformação da agricultura de Mato Grosso.

O reconhecimento da AgroBrasil Fazendas

A AgroBrasil Fazendas valoriza a preservação da memória das famílias que contribuíram para o desenvolvimento da agricultura brasileira.

A trajetória de André Antonio Maggi e Lucia Borges Maggi representa um capítulo relevante da expansão agrícola do Centro-Oeste.

A participação de filhos, sobrinhos, colaboradores e novas gerações demonstra como o conhecimento e a experiência adquiridos no campo podem atravessar décadas.

A história da AMAGGI e do Grupo Bom Futuro também evidencia a importância da organização empresarial, da infraestrutura, da logística e da gestão profissional no agronegócio moderno.

O legado dessas famílias não pode ser medido exclusivamente pela extensão das propriedades ou pelos volumes de produção.

Também está relacionado às oportunidades de trabalho, às estruturas implantadas, ao desenvolvimento regional e ao conhecimento transmitido entre gerações.

Reconhecer a história dos pioneiros é valorizar as pessoas e as famílias que ajudaram a construir o agronegócio brasileiro.

A AgroBrasil Fazendas registra seu reconhecimento à memória de André Antonio Maggi, à trajetória de Lucia Borges Maggi, aos descendentes, aos integrantes da família Maggi Scheffer e aos milhares de profissionais que participaram dessa história.


Fontes e referências bibliográficas

Esta reportagem foi elaborada com base em registros históricos, documentos institucionais e informações públicas sobre a trajetória da família Maggi, da AMAGGI e do Grupo Bom Futuro.

  1. AMAGGI. História institucional.
    Fundação da Sementes Maggi, chegada a Mato Grosso, expansão das operações agrícolas, logística e internacionalização.
    Disponível em: https://www.amaggi.com.br/quem-somos/historia/
  2. AMAGGI. Acervo histórico — Fundadores.
    Fotografias e registros de André Antonio Maggi, Lucia Borges Maggi e seus familiares.
    Disponível em: https://www.amaggi.com.br/imagens-videos/fundadores/
  3. AMAGGI. Acervo histórico — Fazenda SM 01.
    Registros da primeira propriedade adquirida pela empresa em Mato Grosso.
    Disponível em: https://www.amaggi.com.br/imagens-videos/fazenda-sm-01/
  4. AMAGGI. Acervo histórico — Sapezal, Mato Grosso.
    Registros fotográficos da implantação de estruturas agrícolas e do desenvolvimento do município.
    Disponível em: https://www.amaggi.com.br/imagens-videos/sapezal-mt/
  5. AMAGGI. Relatório ESG 2025.
    Informações sobre operações, indicadores empresariais, sustentabilidade, governança e atividades agrícolas.
    Disponível em: https://www.amaggi.com.br/relatorio-esg-2025/
  6. AMAGGI. Família presta homenagem a André Maggi, fundador da AMAGGI. 2026.
    Registro institucional publicado em memória dos 25 anos do falecimento do fundador.
    Disponível em: https://www.amaggi.com.br/noticia/familia-presta-homenagem-a-andre-maggi-fundador-da-amaggi/
  7. GRUPO BOM FUTURO. Conhecer a história para valorizá-la.
    Histórico da chegada dos irmãos Maggi Scheffer a Mato Grosso e da formação do empreendimento.
    Disponível em: https://bomfuturo.com.br/pt-br/comunicacao/noticias/conhecer-a-historia-para-valoriza-la
  8. GRUPO BOM FUTURO. Sobre o grupo.
    Informações institucionais sobre a estrutura empresarial, atividades e trajetória da organização.
    Disponível em: https://bomfuturo.com.br/pt-br/sobre
  9. CÂMARA MUNICIPAL DE SAPEZAL. Lançamento da biografia de André Antonio Maggi.
    Informações históricas sobre o fundador e sua participação no desenvolvimento de Sapezal.
    Disponível em: https://www.sapezal.mt.leg.br/institucional/noticias/lancamento-da-biografia-de-andre-antonio-maggi

Créditos fotográficos e direitos de reprodução

As fotografias utilizadas nesta reportagem devem ser acompanhadas dos créditos correspondentes aos seus autores e acervos de origem.

Os registros provenientes da AMAGGI e do Grupo Bom Futuro devem preservar as informações de autoria disponibilizadas pelas respectivas instituições.

As imagens recebidas para esta publicação não vieram acompanhadas de identificação completa dos fotógrafos ou de documentação de autorização de reprodução. Esses dados deverão ser confirmados antes da publicação.

A utilização de imagens de terceiros depende da observância dos direitos autorais e das condições de reprodução aplicáveis.

Nota editorial

Esta reportagem possui caráter histórico, informativo e institucional.

A AgroBrasil Fazendas não integra os grupos empresariais mencionados.

Os dados de área cultivada representam indicadores operacionais divulgados para períodos específicos e não devem ser interpretados como patrimônio fundiário consolidado da família.

As relações familiares descritas não implicam, por si só, identidade de controle societário entre as organizações.

Pesquisa e produção editorial: AgroBrasil Fazendas — Outubro de 2026.


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