De Pedro Ometto às gerações que participaram da expansão da Cosan, da São Martinho e da Raízen: uma história de empreendedorismo familiar, produção agrícola, industrialização e transformação econômica no interior de São Paulo.
Reportagem especial | AgroBrasil Fazendas | Outubro de 2026
Uma história que começou com a agricultura paulista
A história do agronegócio brasileiro também foi construída por famílias que transformaram pequenas atividades agrícolas em grandes empreendimentos industriais.
Entre elas está a família Ometto, cuja trajetória está diretamente associada ao desenvolvimento da produção de cana-de-açúcar no interior de São Paulo.
Suas origens estão relacionadas à imigração italiana, ao trabalho agrícola e à formação de empreendimentos familiares em uma região que se tornaria referência na produção de açúcar, etanol e bioenergia.
Ao longo de mais de um século, diferentes gerações participaram da aquisição de propriedades, implantação de engenhos, expansão de usinas, modernização agrícola e desenvolvimento de operações industriais e comerciais.
Essa trajetória também deu origem a diferentes ramos empresariais, entre os quais se destacam os negócios historicamente associados à Cosan e ao Grupo São Martinho.
Posteriormente, a formação da Raízen, em 2011, representou uma nova etapa na integração entre a produção sucroenergética e a distribuição de combustíveis.
Entretanto, compreender a história da família Ometto exige reconhecer uma distinção fundamental.
Embora compartilhem origens familiares, Cosan, São Martinho e Raízen não constituem uma única empresa administrada conjuntamente por todos os descendentes.
São organizações com trajetórias, estruturas societárias, administrações e participações acionárias próprias.
Preservar essas diferenças é essencial para contar a história com precisão.
Pedro Ometto e a formação dos primeiros empreendimentos
Legenda: Homenagem a Família Ometto nas comemorações dos 50 anos da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O reconhecimento institucional destaca a trajetória de uma Família historicamente associada ao desenvolvimento empresarial e agroindustrial do Interior Paulista.
Fonte: acervo histórico da empresa – Reprodução Autorizada.
Legenda: Pedro Vicente Ometto Maurano recebe o Título de cidadão piracicabano, em reconhecimento à sua trajetória e contribuição para a comunidade de Piracicaba, Município Historicamente ligado à expansão da atividade canavieira e sucroenergética Paulista.
Fonte: acervo histórico da empresa – Reprodução Autorizada.
A história da família Ometto possui raízes na expansão agrícola do interior paulista, especialmente nas regiões de Piracicaba, Limeira e municípios vizinhos.
Entre os nomes associados ao desenvolvimento dos negócios familiares, Pedro Ometto ocupa posição de destaque.
Sua trajetória está ligada à passagem de atividades agrícolas para empreendimentos de processamento de cana-de-açúcar, em um período no qual o setor sucroalcooleiro brasileiro ainda apresentava forte presença de empresas familiares.
Nas primeiras décadas do século XX, a produção dependia de estruturas relativamente simples de moagem, transporte e comercialização.
O crescimento exigia investimentos na aquisição de terras, implantação de equipamentos industriais e organização do fornecimento de matéria-prima.
Nesse contexto, os empreendedores da família Ometto participaram da transformação de engenhos em usinas capazes de processar volumes cada vez maiores de cana-de-açúcar.
O desenvolvimento dessas estruturas contribuiu para a formação de uma base econômica que seria ampliada pelas gerações seguintes.
A expansão não ocorreu exclusivamente por meio da compra de propriedades rurais.
Também envolveu parcerias agrícolas, fornecimento de cana por produtores independentes, investimentos industriais e reorganizações empresariais.
Essa combinação permitiu que diferentes integrantes da família construíssem negócios com características próprias.
A cana-de-açúcar e o desenvolvimento do interior de São Paulo
Legenda: Da produção nos antigos engenhos á industrialização das usinas: a transformação da agroindústria canavieira paulista ao longo dos séculos. A evolução tecnológica ampliou a capacidade de processamento e estabeleceu as bases do moderno setor sucroenergético brasileiro.
Fonte: acervo histórico da empresa – Reprodução Autorizada.
O crescimento da família Ometto ocorreu em um ambiente de profundas transformações da agricultura paulista.
Durante o século XX, a cana-de-açúcar passou por sucessivos processos de modernização.
A expansão das áreas cultivadas foi acompanhada pela mecanização, pelo melhoramento das variedades agrícolas, pelo desenvolvimento de técnicas de manejo e pela ampliação da capacidade industrial das usinas.
O interior de São Paulo apresentava condições favoráveis ao desenvolvimento da atividade, incluindo regiões com solos adequados, infraestrutura agrícola e proximidade de importantes mercados consumidores.
A atividade sucroenergética também contribuiu para a formação de uma extensa rede econômica.
Além dos proprietários e dirigentes das usinas, participaram desse processo trabalhadores rurais, técnicos agrícolas, engenheiros, transportadores, fornecedores de equipamentos e produtores independentes.
A consolidação das usinas ampliou a demanda por serviços de manutenção, transporte, armazenagem, administração e comercialização.
Assim, a produção de cana-de-açúcar passou a representar uma atividade com efeitos econômicos que ultrapassavam os limites das propriedades rurais.
Para a família Ometto, esse ambiente criou oportunidades de expansão e diversificação.
A formação da Usina São Martinho e a expansão do ramo familiar
Legenda: Unidade industrial Usina São Martinho, Pradópolis/SP. A extensão da capacidade de moagem, a modernização dos equipamentos e a integração entre produção agrícola e processamento industrial consolidam o grupo entre grandes produtores brasileiros de açúcar, etanol e bioenergia.
Fonte: acervo histórico da empresa – Reprodução Autorizada.
A trajetória do Grupo São Martinho representa um dos capítulos mais importantes da presença da família Ometto no setor sucroenergético.
A empresa consolidou suas atividades no interior paulista, especialmente a partir da expansão industrial e agrícola da unidade localizada em Pradópolis.
O desenvolvimento do empreendimento esteve associado à ampliação das áreas de fornecimento de cana, modernização das instalações industriais e aperfeiçoamento dos processos produtivos.
Com o passar das décadas, a São Martinho ampliou sua presença no mercado brasileiro, tornando-se uma companhia com atividades relacionadas à produção de açúcar, etanol e energia.
A organização também investiu na mecanização da colheita, na gestão agrícola e na utilização de tecnologias voltadas ao aumento da eficiência operacional.
Entre os representantes empresariais associados à história do grupo estão João Guilherme Sabino Ometto e Luiz Antônio Ometto, integrantes de ramos familiares ligados à tradição sucroenergética.
A atuação da São Martinho demonstra como a experiência agrícola acumulada entre gerações pode ser transformada em uma estrutura empresarial profissionalizada.
Entretanto, é importante reconhecer que a companhia possui sua própria organização societária e administrativa.
Seus ativos, unidades industriais e operações agrícolas não devem ser automaticamente confundidos com os negócios de outros ramos da família Ometto.
A dimensão produtiva da São Martinho
A escala contemporânea das operações pode ser observada pelos indicadores divulgados pela própria companhia.
Na safra 2025/2026, a São Martinho informou o processamento de aproximadamente 21,67 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
A produção incluiu aproximadamente 1,423 milhão de toneladas de açúcar e 908,7 mil metros cúbicos de etanol, além da geração e exportação de energia elétrica. SAFRAS & Mercado
SÃO MARTINHO — SAFRA 2025/2026
21,67 mi t
Cana-de-açúcar processada
1,423 mi t
Açúcar produzido
908,7 mil m³
Etanol produzido
840,2 mil MWh
Energia elétrica exportada
Indicadores operacionais divulgados em dezembro de 2025. Não representam patrimônio fundiário da família Ometto.
Esses números demonstram a importância da integração entre agricultura e indústria.
A produção depende de planejamento agrícola, renovação dos canaviais, logística de colheita, transporte da matéria-prima e capacidade industrial.
Também exige investimentos contínuos em máquinas, infraestrutura e tecnologia.
Do ponto de vista patrimonial, porém, é necessário distinguir a área efetivamente pertencente à companhia das terras arrendadas e das propriedades de fornecedores independentes.
Da mesma forma, a quantidade de cana processada não permite calcular diretamente a extensão territorial pertencente aos acionistas.
Rubens Ometto e a consolidação da Cosan
Legenda: Rubens Ometto Silveira Mello. Empresário associado à expansão e consolidação da Cosan. Sob sua liderança, o grupo ampliou sua atuação para além da produção sucroenergética, desenvolvendo investimentos em energia, logística e infraestrutura.
Fonte: acervo histórico da empresa – Reprodução Autorizada.
Entre os integrantes mais conhecidos das gerações posteriores está Rubens Ometto Silveira Mello.
Nascido em Piracicaba, sua trajetória empresarial está relacionada à consolidação da Cosan como um grupo de investimentos com origem no setor sucroenergético.
A expansão da companhia representou uma mudança importante no modelo de negócios desenvolvido por diferentes gerações da família.
A atividade, inicialmente concentrada na produção de açúcar e álcool, passou a integrar operações industriais, comerciais, energéticas e logísticas.
Ao longo desse processo, a Cosan realizou investimentos e reorganizações que ampliaram sua presença em diferentes segmentos da economia brasileira.
O desenvolvimento da companhia também acompanhou a transformação do etanol em um produto estratégico para a matriz energética nacional.
A expansão do mercado de combustíveis renováveis abriu novas oportunidades para empresas que já possuíam experiência na produção de cana-de-açúcar.
A trajetória de Rubens Ometto demonstra a passagem de um empreendimento de origem agrícola para uma estrutura corporativa de maior complexidade.
Essa evolução envolveu governança empresarial, acesso ao mercado de capitais, formação de parcerias e diversificação de investimentos.
A Cosan passou a operar como um grupo empresarial com participações em diferentes companhias.
Isso significa que a história de sua formação permanece ligada à família Ometto, mas sua estrutura atual deve ser analisada a partir dos documentos societários e das participações efetivamente existentes em cada período.
A criação da Raízen: uma nova etapa empresarial
Legenda: Unidade industrial de Operação sucroenergética da Raízen, dedicada à produção de etanol de segunda geração (E2G), tecnologia que utiliza resíduos da cana-de-açúcar, como palha e bagaço, para produzir combustível renovável. A inovação representa uma nova etapa no aproveitamento industrial da biomassa.
Fonte: acervo histórico da empresa – Reprodução Autorizada.
Em 2011, a Cosan e a Shell constituíram uma associação empresarial que deu origem à Raízen.
A operação reuniu ativos ligados à produção de açúcar, etanol e energia com estruturas de distribuição e comercialização de combustíveis.
A criação da companhia representou uma etapa relevante na integração entre a atividade agrícola e o mercado energético.
A cana-de-açúcar, tradicionalmente utilizada na produção de açúcar e álcool, passou a integrar estratégias mais amplas relacionadas a combustíveis renováveis, bioenergia e comercialização.
A Raízen desenvolveu operações que conectam propriedades rurais, unidades industriais, terminais logísticos e redes de distribuição.
A associação entre Cosan e Shell também evidencia como negócios de origem familiar podem estabelecer parcerias com grandes grupos internacionais. Conselho Administrativo de Defesa Econômica +1
A participação da Cosan na Raízen, entretanto, não significa que a empresa pertença exclusivamente à família Ometto.
Trata-se de uma companhia com estrutura societária própria, incluindo a participação da Shell e de outros acionistas.
A compreensão dessa relação é fundamental para evitar interpretações equivocadas sobre o patrimônio empresarial da família.
Os desafios da Raízen em 2026
A história de grandes grupos empresariais também envolve períodos de reorganização financeira e revisão de estratégias.
Em março de 2026, a Raízen apresentou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar obrigações financeiras de aproximadamente R$ 65 bilhões.
Em junho, a companhia anunciou um acordo com credores envolvendo a reestruturação de aproximadamente R$ 64,7 bilhões em dívidas.
A proposta incluiu mecanismos de conversão de créditos em participação acionária, alongamento de obrigações e aportes de capital, além de uma reorganização prevista para separar as atividades de produção sucroenergética e distribuição de combustíveis. CNN Brasil +2
Esse episódio constitui um capítulo importante da trajetória contemporânea da companhia.
A expansão empresarial exige decisões sobre financiamento, investimentos, produtividade e capacidade de geração de caixa.
No agronegócio, essas decisões também são influenciadas por condições climáticas, produtividade agrícola, preços de commodities, custos operacionais e taxas de juros.
O registro desse período não diminui a relevância histórica dos empreendimentos desenvolvidos pela família Ometto.
Permite, entretanto, compreender que a continuidade empresarial exige adaptações diante de diferentes cenários econômicos.
A reportagem preserva a distinção entre o legado familiar e a situação financeira de uma companhia com personalidade jurídica e estrutura societária próprias.
Uma família, diferentes trajetórias empresariais
A história da família Ometto demonstra como uma origem agrícola comum pode resultar na formação de organizações empresariais distintas.
Ao longo das gerações, diferentes integrantes da família participaram da administração de usinas, da expansão de atividades agrícolas e da criação de estruturas empresariais próprias.
A Cosan desenvolveu um modelo de investimentos e participações em negócios ligados à energia, logística e infraestrutura.
O Grupo São Martinho consolidou sua atuação na produção de açúcar, etanol e bioenergia, mantendo forte integração entre as operações agrícolas e industriais.
A Raízen, formada pela associação entre Cosan e Shell, passou a atuar na produção sucroenergética e na distribuição de combustíveis.
Embora existam relações históricas e societárias entre determinados empreendimentos, não é correto apresentar todos como um único patrimônio pertencente indistintamente aos descendentes da família.
Essa distinção também se aplica às propriedades rurais.
A existência de uma usina, fazenda ou unidade industrial vinculada a determinada companhia não significa necessariamente que o imóvel pertença diretamente aos integrantes da família controladora.
Em grandes grupos empresariais, a propriedade pode estar registrada em nome de sociedades operacionais, holdings, subsidiárias ou outras pessoas jurídicas.
A compreensão dessas estruturas é importante para preservar a precisão histórica e patrimonial da reportagem.
A relação da família Ometto com a terra
Legenda: Colheita mecanizada de cana-de-açúcar no Brasil. A incorporação de máquinas agrícolas, sistemas de monitoramento e técnicas de agricultura de precisão transformou a gestão dos canaviais, ampliando a eficiência operacional e a produtividade das lavouras.
Fonte: acervo histórico da empresa – Reprodução Autorizada.
A trajetória empresarial da família Ometto possui uma característica que merece destaque: a relação entre a produção agrícola e a capacidade de transformação industrial.
Diferentemente de atividades nas quais a comercialização da produção representa a etapa final do negócio, o setor sucroenergético exige integração entre diferentes processos.
O cultivo da cana-de-açúcar depende de planejamento agronômico, análise das características dos solos, condições climáticas, disponibilidade hídrica, manejo de fertilidade e organização da colheita.
A proximidade entre os canaviais e as unidades industriais também influencia os custos de transporte e a eficiência operacional.
A cana colhida precisa chegar às usinas em condições adequadas para o processamento.
Por isso, a localização das propriedades rurais, a infraestrutura de acesso e a distribuição territorial das áreas produtivas possuem relevância econômica.
Ao longo das décadas, o setor desenvolveu diferentes modalidades de exploração agrícola.
Entre elas estão as terras próprias, os arrendamentos rurais, as parcerias agrícolas e os contratos de fornecimento de cana-de-açúcar.
Cada modalidade apresenta características jurídicas, econômicas e patrimoniais específicas.
O valor de uma propriedade rural destinada à produção de cana também depende de fatores como produtividade, topografia, fertilidade, logística, disponibilidade de mercado comprador e condições contratuais.
Essas características demonstram que a expansão sucroenergética não pode ser analisada exclusivamente pelo número de hectares cultivados.
A eficiência econômica depende da combinação entre qualidade da terra, tecnologia, produtividade e capacidade industrial.
A importância da mecanização e da tecnologia agrícola
A modernização da produção de cana-de-açúcar transformou profundamente o trabalho nas propriedades rurais paulistas.
A substituição progressiva de processos manuais por operações mecanizadas alterou a organização das lavouras e a demanda por equipamentos.
Colhedoras, tratores, transbordos, sistemas de monitoramento e tecnologias de agricultura de precisão passaram a integrar o cotidiano das operações.
O desenvolvimento de variedades mais produtivas também contribuiu para melhorar o aproveitamento agrícola e industrial da matéria-prima.
Empresas como a São Martinho e a Raízen participaram desse processo de modernização por meio de investimentos em equipamentos, pesquisa, gestão agrícola e eficiência operacional.
A tecnologia também ampliou a importância do planejamento territorial.
A configuração dos talhões, a declividade, as condições de acesso e a distância até as unidades industriais influenciam diretamente os custos de produção.
A expansão agrícola passou, portanto, a exigir não apenas disponibilidade de terras, mas também conhecimento técnico e capacidade de gestão.
Essa transformação representa um dos aspectos mais importantes do desenvolvimento do agronegócio paulista.
A contribuição para o desenvolvimento regional
A presença das atividades sucroenergéticas contribuiu para a organização econômica de diferentes municípios do interior de São Paulo.
Regiões como Piracicaba, Limeira e Pradópolis desenvolveram relações históricas com a produção de cana-de-açúcar e com a instalação de unidades industriais.
A expansão das usinas gerou demanda por trabalhadores, profissionais especializados, transportadores, fornecedores de máquinas, prestadores de serviços e empresas de manutenção.
Também estimulou o desenvolvimento de atividades comerciais relacionadas à produção agrícola.
O crescimento do setor ocorreu por meio da participação de diferentes agentes econômicos.
Além das famílias empresárias, produtores rurais independentes forneceram matéria-prima e contribuíram para a formação das cadeias produtivas.
Trabalhadores rurais e industriais participaram das diferentes etapas de plantio, colheita, transporte e processamento.
A história do setor sucroenergético paulista é, portanto, resultado de uma construção coletiva.
Nesse contexto, a família Ometto participou da formação de empreendimentos que se tornaram referências nacionais.
Sua contribuição histórica deve ser compreendida em conjunto com a atuação das comunidades, dos trabalhadores e dos demais produtores que ajudaram a consolidar a atividade.
A sucessão familiar e a profissionalização dos negócios
Um dos aspectos mais relevantes da trajetória da família Ometto é a continuidade de atividades empresariais ao longo de diferentes gerações.
A passagem de negócios agrícolas familiares para grandes companhias exige transformações na administração, na organização societária e nos mecanismos de governança.
Nas primeiras décadas, muitas decisões estavam diretamente relacionadas à atuação pessoal dos fundadores e de seus familiares.
Com o crescimento das operações, tornou-se necessário desenvolver estruturas administrativas capazes de coordenar atividades agrícolas, industriais, comerciais e financeiras.
A profissionalização da gestão passou a envolver conselhos de administração, diretorias executivas, auditorias, controles internos e mecanismos de prestação de contas.
A abertura de capital e a participação de investidores também modificaram a relação entre as famílias fundadoras e as empresas.
Nesse ambiente, a continuidade empresarial não depende exclusivamente da presença de descendentes em cargos executivos.
Também envolve a preservação de estratégias, a organização patrimonial e a capacidade de adaptação às transformações econômicas.
A trajetória dos diferentes ramos da família Ometto demonstra que uma origem comum pode produzir caminhos empresariais distintos.
Cada organização desenvolve seus próprios mecanismos de sucessão, governança e administração.
O legado da família Ometto para o agronegócio brasileiro
A história da família Ometto acompanha parte importante da transformação econômica da agricultura paulista.
O que começou com atividades agrícolas e engenhos de cana-de-açúcar passou a integrar grandes operações industriais, energéticas e logísticas.
Ao longo das gerações, diferentes integrantes da família participaram da ampliação da capacidade produtiva, da modernização das usinas e da criação de novas estruturas empresariais.
A formação de companhias como Cosan e São Martinho representa um capítulo dessa trajetória.
A associação empresarial que originou a Raízen demonstra uma etapa posterior, caracterizada pela integração entre a produção agrícola, a indústria e a distribuição de combustíveis.
A evolução desses negócios também evidencia que o agronegócio não se limita à atividade desenvolvida dentro das propriedades rurais.
A produção depende de uma cadeia formada por fornecedores, trabalhadores, empresas de tecnologia, operadores logísticos, instituições financeiras e consumidores.
O legado empresarial da família Ometto está relacionado à participação na construção dessa estrutura.
Sua história também demonstra a importância de compreender as diferenças entre patrimônio familiar, controle societário e ativos operacionais.
Mais de um século depois dos primeiros empreendimentos agrícolas, a trajetória permanece associada ao desenvolvimento da produção sucroenergética brasileira.
O Reconhecimento da AgroBrasil Fazendas
A AgroBrasil Fazendas valoriza a preservação da memória das famílias que contribuíram para o desenvolvimento da agricultura e da agroindústria brasileira.
A trajetória da família Ometto representa um capítulo importante da formação do setor sucroenergético paulista.
A participação de diferentes gerações na implantação de engenhos, expansão de usinas, modernização agrícola e estruturação de grandes empresas demonstra como o conhecimento adquirido no campo pode atravessar décadas.
A história também evidencia a importância da organização patrimonial, da sucessão familiar, da profissionalização da gestão e dos investimentos de longo prazo.
O desenvolvimento de empreendimentos agrícolas exige mais do que disponibilidade de terras.
Depende de conhecimento técnico, capacidade de investimento, infraestrutura, gestão de riscos e compreensão dos mercados.
Esses fatores estão presentes em diferentes etapas da história empresarial associada à família Ometto.
O legado de uma família ligada ao agronegócio não deve ser medido exclusivamente pela extensão das propriedades rurais ou pelo volume de produção.
Também está relacionado às estruturas implantadas, às oportunidades de trabalho, ao desenvolvimento regional e ao conhecimento transmitido entre gerações.
A AgroBrasil Fazendas registra seu reconhecimento à trajetória histórica da família Ometto, aos empreendedores que participaram da formação de seus diferentes negócios e aos milhares de profissionais que contribuíram para o desenvolvimento da atividade sucroenergética.
Preservar essas histórias é reconhecer a importância das pessoas e das famílias que participaram da construção do agronegócio brasileiro.
Fontes e referências bibliográficas
Esta reportagem foi elaborada com base em documentos empresariais, registros históricos, informações públicas e publicações especializadas sobre a família Ometto e o desenvolvimento do setor sucroenergético.
1. GRUPO SÃO MARTINHO. História institucional. Informações sobre a formação do grupo, a expansão das atividades e a evolução das operações industriais. Disponível em: São Martinho — Portal institucional.
2. GRUPO SÃO MARTINHO. Relato Integrado 2024/2025. Informações sobre produção, investimentos, desempenho agrícola, industrial e governança. Consultar documento.
3. SAFRAS & MERCADO. São Martinho encerra período de moagem com 21,67 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processadas. 11 de dezembro de 2025. Informações sobre a safra 2025/2026. Consultar reportagem.
4. COSAN S.A. Relatório anual e demonstrações financeiras de 2025. Documento disponibilizado à Securities and Exchange Commission (SEC), com informações sobre participações societárias e operações empresariais. Consultar relatório.
5. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE DEFESA ECONÔMICA — CADE. Associação entre Shell e Cosan. Registro oficial sobre a operação empresarial que originou a Raízen. Consultar registro oficial.
6. RAÍZEN S.A. Composição acionária. Informações societárias com data de referência de 7 de julho de 2026. Consultar composição acionária.
7. RAÍZEN S.A. Informações sobre o processo de reestruturação financeira. Comunicado institucional referente à reorganização financeira da companhia em 2026. Consultar comunicado.
8. CNN BRASIL. Com 15 anos, Raízen se tornou gigante do agro; veja história da companhia. 11 de março de 2026. Reportagem sobre a formação e o desenvolvimento da empresa. Consultar reportagem.
9. FGV CPDOC. Acervo de história oral — João Guilherme Ometto. Referência para aprofundamento biográfico e histórico do ramo empresarial associado à São Martinho. Consultar acervo FGV CPDOC.
Nota editorial
Esta reportagem possui caráter histórico, informativo e institucional.
A AgroBrasil Fazendas não integra os grupos empresariais mencionados.
As relações familiares descritas não implicam, por si só, identidade de controle societário entre Cosan, São Martinho e Raízen.
Os indicadores de produção apresentados referem-se a períodos operacionais específicos e não devem ser interpretados como patrimônio fundiário consolidado da família Ometto.
A matéria não atribui aos integrantes da família propriedades, participações acionárias ou decisões empresariais sem documentação correspondente.
Pesquisa e produção editorial: AgroBrasil Fazendas — Outubro de 2026.
AGROBRASIL FAZENDAS CRECI J23766
Fazendo a diferença no Cerrado brasileiro.
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